Carlos pegou o celular ao ouvir e toque, parando para pensar se atendia ou não quando viu quem o chamava. Não estava de todo surpreso com a ligação, mas estava chocado por perceber que ficou feliz ao saber que era ela. Decidiu atender.
– Aline? – perguntou, ainda em dúvidas quanto ao motivo da ligação.
– O que você vai fazer? – perguntou ela, como se isso fosse uma saudação óbvia.
– Do que você está falando? –
Ele sabia do que ela estava falando. A garota ficou tempo demais com ele, e era esperta. Já sabia qual seu próximo passo. Carlos só não conseguia entender qual era o interesse dela em seu trabalho, além de dedurá-lo para o pai. “Afinal, ela quase morreu por minha culpa, deve tá agora mesmo planejando como ferrar comigo”.
– Estou falando de qual é o plano, ou vai me dizer que você desistiu? – ela respondeu.
– Seu pai não vai mais me pagar pra pegar o moleque, por que eu iria atrás dele? – respondeu Carlos, tentando ser profissional.
– Sei, e eu vou simplesmente acreditar que isso não virou pessoal? – Alfinetou Aline. Carlos sentia o sarcasmo voando pelas ondas de rádio até chegar ao seu ouvido.
– Eu faço meu trabalho e é só – Foi o que conseguiu responder, mas já estava intrigado. Ela sabia mais do que aparentava.
– Olha aqui Carlos, não me trate como se eu fosse imbecil. Quem você acha que te indicou pro meu pai pra ir atrás do Guilherme? Eu pesquisei a sua vida, eu te conheço mais do que você mesmo e eu sei que isto é pessoal, assim como já foi outras vezes –
Aquilo surpreendeu Carlos. Ele podia esperar muita coisa, mas nunca seria capaz de imaginar que aquela mulher fosse capaz de planejar tudo aquilo. Jamais pensaria que Aline é tão perigosa. Pensou então por um momento se, já que ela provavelmente era uma ótima atriz, o quanto ele conheceu dela de verdade. Muito pouco, concluiu, se lembrando do modo como ela espantou quase todos os seus contatos. Era tudo planejado.
– Eu não sei – foi o que conseguiu dizer, e era verdade. O tempo que perdeu por causa da explosão foi precioso demais, seria difícil agora localizar Guilherme e a garota, uma vez que ambos caminhavam pela madrugada. Poderiam estar encobertos, encurralados, terem sido descobertos ou até mesmo terem sido assassinados. Poderia ter acontecido qualquer coisa naquele período de tempo, e o único pensamento que ainda dava esperanças à Carlos é que, não importa onde ou como eles estivessem, eles jamais estariam seguros.
– Vai me dizer que você não pensou em falar com o Manentti? – Arriscou ela. Carlos conseguiu imaginá-la sorrindo para si mesma ao telefone.
– O que você disse? – Perguntou ele, a raiva começando a subir pela garganta.
– Olha só, eu sei que você não tem lados, não precisa... – Continuou Aline, sabendo exatamente o que estava fazendo com seu ex-parceiro.
– Eu não tenho lados, mas não sou um cachorro vira-lata! Não vou sair a procura de ninguém implorando por ajuda. Se eu for trabalhar pra ele, então vai ser porque ELE pediu a minha ajuda – Explodiu o policial. Pela parede barata do hotel, pode perceber su vizinho baixando o volume da televisão. Era melhor se controlar.
– Tá, tá, desculpa, sinto muito se feri seu orgulho – retrucou ela, em um tom sarcástico e cansado de quem está entediada com a conversa – Vai ir atrás dele por conta própria agora? –
– Vou, mas o que isso tem a ver com você? – disse Carlos. Havia esquecido completamente que devia manter a cautela quando falava com aquela mulher. “Deixei a guarda baixa e agora ela já sabe muito. Eu nem deveria ter atendido”
– O que você acha? Eu vou com você – respondeu ela, como se fosse a atitude mais sensata a se fazer.
– Vai à merda, isso sim. Você não vem comigo –
– Olha aqui seu idiota aquele Guilherme matou o meu irmão. Eu vou com você –
– Como se o seu pai já não tivesse encontrado outra pessoa pra fazer o serviço... Ah! Vai ver essa outra pessoa tem juízo e não deixou você ir junto atrapalhar a missão –
Carlos ouviu Aline xingar baixo do outro lado da linha. Podia ser ela, podia ser apenas outra atuação. Ou podia ser que todas as atuações fossem mesmo ela, que não passava de uma mulher complicada.
– Meu pai arranjou sim, mas ele não vai me deixar sair daqui e se eu fosse com... Se eu não for com você ele vai saber onde eu estou –
– O que é que foi, ele mandou um ex-namorado seu ou algo assim? –
– Vai se foder –
– Acho lindo o modo como você se expressa – ironizou Carlos, já começando a se divertir. Antes que Aline pudesse responder ele deu o endereço de um bar que ficava a meia distância do seu hotel e desligou. Não podia arriscar dizer exatamente onde estava, e sentia que até mesmo aquele endereço era perigoso. Afinal, ela tinha todos os recursos dos Menegaro a sua disposição caso estivesse mentindo. Mas também, por que ela iria preparar uma armadilha para ele? Hércules o deixou escapar com vida, se o quisesse morto, teria feito isso na hora.
Após desligar Carlos atirou o telefone em um canto e se jogou na cama. Não pretendia chegar adiantado para uma possível armadilha no bar, por mais remota que fosse essa possibilidade. Iria fazer tempo e, se Aline fosse mesmo fugir de casa para se encontrar com ele, ela que esperasse. Encontrou ao lado da cama alguns folders de bordéis próximos. Chamou a sua atenção um com fotos, com letras grandes e enfeitadas dizendo “ENTREGA A DOMISSÍLHO”. Carlos riu da piada e do erro, que chegava a ser pequeno perto de algumas frases em letras menores. Passeou o dedo pelas fotos se sentindo tentado. Seria uma bela vingança se atrasar para encontrar Aline porque estava transando com uma prostituta. Seria uma bela vingança, mas a dor em seus ossos lhe lembrou que não poderia agora e, provavelmente, nem em muito tempo. Carlos praguejou e jogou o folheto longe, mas ele revirou no ar e caiu novamente em cima da cama.
O policial conseguiu ficar deitado cinco minutos olhando para o teto verde-limão descascado, e então pegou a sua jaqueta e saiu, inconformado com Aline, com o mundo e consigo mesmo.
– Aline? – perguntou, ainda em dúvidas quanto ao motivo da ligação.
– O que você vai fazer? – perguntou ela, como se isso fosse uma saudação óbvia.
– Do que você está falando? –
Ele sabia do que ela estava falando. A garota ficou tempo demais com ele, e era esperta. Já sabia qual seu próximo passo. Carlos só não conseguia entender qual era o interesse dela em seu trabalho, além de dedurá-lo para o pai. “Afinal, ela quase morreu por minha culpa, deve tá agora mesmo planejando como ferrar comigo”.
– Estou falando de qual é o plano, ou vai me dizer que você desistiu? – ela respondeu.
– Seu pai não vai mais me pagar pra pegar o moleque, por que eu iria atrás dele? – respondeu Carlos, tentando ser profissional.
– Sei, e eu vou simplesmente acreditar que isso não virou pessoal? – Alfinetou Aline. Carlos sentia o sarcasmo voando pelas ondas de rádio até chegar ao seu ouvido.
– Eu faço meu trabalho e é só – Foi o que conseguiu responder, mas já estava intrigado. Ela sabia mais do que aparentava.
– Olha aqui Carlos, não me trate como se eu fosse imbecil. Quem você acha que te indicou pro meu pai pra ir atrás do Guilherme? Eu pesquisei a sua vida, eu te conheço mais do que você mesmo e eu sei que isto é pessoal, assim como já foi outras vezes –
Aquilo surpreendeu Carlos. Ele podia esperar muita coisa, mas nunca seria capaz de imaginar que aquela mulher fosse capaz de planejar tudo aquilo. Jamais pensaria que Aline é tão perigosa. Pensou então por um momento se, já que ela provavelmente era uma ótima atriz, o quanto ele conheceu dela de verdade. Muito pouco, concluiu, se lembrando do modo como ela espantou quase todos os seus contatos. Era tudo planejado.
– Eu não sei – foi o que conseguiu dizer, e era verdade. O tempo que perdeu por causa da explosão foi precioso demais, seria difícil agora localizar Guilherme e a garota, uma vez que ambos caminhavam pela madrugada. Poderiam estar encobertos, encurralados, terem sido descobertos ou até mesmo terem sido assassinados. Poderia ter acontecido qualquer coisa naquele período de tempo, e o único pensamento que ainda dava esperanças à Carlos é que, não importa onde ou como eles estivessem, eles jamais estariam seguros.
– Vai me dizer que você não pensou em falar com o Manentti? – Arriscou ela. Carlos conseguiu imaginá-la sorrindo para si mesma ao telefone.
– O que você disse? – Perguntou ele, a raiva começando a subir pela garganta.
– Olha só, eu sei que você não tem lados, não precisa... – Continuou Aline, sabendo exatamente o que estava fazendo com seu ex-parceiro.
– Eu não tenho lados, mas não sou um cachorro vira-lata! Não vou sair a procura de ninguém implorando por ajuda. Se eu for trabalhar pra ele, então vai ser porque ELE pediu a minha ajuda – Explodiu o policial. Pela parede barata do hotel, pode perceber su vizinho baixando o volume da televisão. Era melhor se controlar.
– Tá, tá, desculpa, sinto muito se feri seu orgulho – retrucou ela, em um tom sarcástico e cansado de quem está entediada com a conversa – Vai ir atrás dele por conta própria agora? –
– Vou, mas o que isso tem a ver com você? – disse Carlos. Havia esquecido completamente que devia manter a cautela quando falava com aquela mulher. “Deixei a guarda baixa e agora ela já sabe muito. Eu nem deveria ter atendido”
– O que você acha? Eu vou com você – respondeu ela, como se fosse a atitude mais sensata a se fazer.
– Vai à merda, isso sim. Você não vem comigo –
– Olha aqui seu idiota aquele Guilherme matou o meu irmão. Eu vou com você –
– Como se o seu pai já não tivesse encontrado outra pessoa pra fazer o serviço... Ah! Vai ver essa outra pessoa tem juízo e não deixou você ir junto atrapalhar a missão –
Carlos ouviu Aline xingar baixo do outro lado da linha. Podia ser ela, podia ser apenas outra atuação. Ou podia ser que todas as atuações fossem mesmo ela, que não passava de uma mulher complicada.
– Meu pai arranjou sim, mas ele não vai me deixar sair daqui e se eu fosse com... Se eu não for com você ele vai saber onde eu estou –
– O que é que foi, ele mandou um ex-namorado seu ou algo assim? –
– Vai se foder –
– Acho lindo o modo como você se expressa – ironizou Carlos, já começando a se divertir. Antes que Aline pudesse responder ele deu o endereço de um bar que ficava a meia distância do seu hotel e desligou. Não podia arriscar dizer exatamente onde estava, e sentia que até mesmo aquele endereço era perigoso. Afinal, ela tinha todos os recursos dos Menegaro a sua disposição caso estivesse mentindo. Mas também, por que ela iria preparar uma armadilha para ele? Hércules o deixou escapar com vida, se o quisesse morto, teria feito isso na hora.
Após desligar Carlos atirou o telefone em um canto e se jogou na cama. Não pretendia chegar adiantado para uma possível armadilha no bar, por mais remota que fosse essa possibilidade. Iria fazer tempo e, se Aline fosse mesmo fugir de casa para se encontrar com ele, ela que esperasse. Encontrou ao lado da cama alguns folders de bordéis próximos. Chamou a sua atenção um com fotos, com letras grandes e enfeitadas dizendo “ENTREGA A DOMISSÍLHO”. Carlos riu da piada e do erro, que chegava a ser pequeno perto de algumas frases em letras menores. Passeou o dedo pelas fotos se sentindo tentado. Seria uma bela vingança se atrasar para encontrar Aline porque estava transando com uma prostituta. Seria uma bela vingança, mas a dor em seus ossos lhe lembrou que não poderia agora e, provavelmente, nem em muito tempo. Carlos praguejou e jogou o folheto longe, mas ele revirou no ar e caiu novamente em cima da cama.
O policial conseguiu ficar deitado cinco minutos olhando para o teto verde-limão descascado, e então pegou a sua jaqueta e saiu, inconformado com Aline, com o mundo e consigo mesmo.
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