– Parece que foi um assalto – disse o policial.
– Droga, Carlos! Não me interessa o que é que foi, só quero pegar o filho da puta que fez isso – respondeu o homem de cabelos grisalhos.
O policial olhou em volta, examinando cada detalhe. Primeiro o corpo, depois a cama, depois as gavetas... o quarto inteiro, a sala, a cozinha... o banheiro.
– Já deu de brincar de CSI? – perguntou o velho.
– Acho que você não tá procurando por um filho da puta, Hércules, mas pela própria puta –
– O que você disse? –
Carlos abaixou sua mão para a privada com um sorriso no rosto, ignorando as reclamações de nojo de Hércules. Lá dentro, uma ponta verde dançava no fundo, como uma sereia dos mares na qual alguém tentou dar descarga. O policial puxou, e o verde aumentou de tamanho. Ele continuou puxando e puxando até tirar do fiapo um vestido inteiro. A tela verde salpicada de vermelho abstrato. Uma arte linda e única digna de Jackson Pollock.
– Uma puta com classe, ainda por cima – finalizou Carlos, parecendo querer apresentar a obra recém descoberta.
Hércules olhava com repugnância o vestido, como se a própria dona ainda estivesse nele, zombando do velho que ainda tinha nos olhos a marca do choro.
– Não me interessa se é homem, mulher ou a sua mãe. Você vai pegar quem fez isso, e vai trazer pra mim antes do sol nascer –
– Calma lá, também não é assim. Sabe, tem muitas dificuldades em se rastrear alguém... tenho de molhar a mão das pessoas certas, mas não tenho dinheiro agora, sabe como é, sem dinheiro leva mais temp... –
– Pegue o quanto quiser, seu maldito policial, pode levar todo o meu dinheiro. Se você me trouxer a garota, arranjo um jeito de te dar mais ainda –
– Agradeço a gentileza – respondeu Carlos com o sorriso mais irônico do mundo – Já posso começar com você. Sabe se ele tava trabalhando em alguma coisa? –
– Não me meto nos negócios dos meus filhos. Contanto que eles consigam dinheiro, não me interessa como. Foi assim que eu criei eles, e é assim que devia ser com todo mundo –
– É claro, mas nem sua filha sabe? –
– A Aline? Talvez... Ela tá lá fora, vamos lá –
Enquanto andavam pela casa, Carlos ia examinando o vestido, sentindo uma estranha e irracional afeição por ele. Quando eles abriram a porta da frente, não foi necessário procurar Aline. Ela estava lá, parada em frente a porta, ansiosa esperando por notícias. As lágrimas ainda não haviam cessado. Era uma mulher muito bonita, reparou Carlos. Vindo de uma família como aquela, era de se admirar que não se parecia nem um pouco com uma prostituta. Parecia, na verdade, não ser filha de ninguém, tão independente era seu olhar, mesmo estando arrasada.
– Esse cara vai pegar quem fez isso, pai? –
– Vai sim, filha, mas vai precisar de sua ajuda –
Imediatamente a postura dela mudou, as lágrimas pararam de cair, o rosto se ergueu, orgulhoso como era normalmente, o olhar decisivo que devia ter amedrontado seus primeiros namorados, a expressão de quem está se concentrando para realizar um trabalho árduo. Carlos quase deixou escapar uma exclamação.
– O que eu posso fazer? – perguntou ela.
– Vo... Você sabe no que seu irmão estava trabalhando? –
Aline olhou para o pai, não estava indecisa, mas sabia que precisava de permissão para aquilo. Hércules acenou que sim com a cabeça.
– Ele tava mexendo com drogas, tudo quanto é tipo. Mas precisava de alguém que saísse da ilha com a intenção de voltar –
– Quem? –
– Não sei, só sei do plano, mas não me meti –
– Então eu vou falar com algumas pessoas, ver que informação eu consigo... –
– Eu vou com você – Interrompeu Aline, nitidamente escravizava o negro alto apenas com seu olhar.
Carlos a encarou sem piscar. Teria de dizer não. Não podia fazer seu trabalho direito com uma Menegaro sentada no banco do seu carro. A única alternativa que tinha era dizer pra ela que não podia ir, que iria atrapalhar.
– Tudo bem, pode vir – disse ele, sem saber como aquelas palavras saíram de sua boca.
– Droga, Carlos! Não me interessa o que é que foi, só quero pegar o filho da puta que fez isso – respondeu o homem de cabelos grisalhos.
O policial olhou em volta, examinando cada detalhe. Primeiro o corpo, depois a cama, depois as gavetas... o quarto inteiro, a sala, a cozinha... o banheiro.
– Já deu de brincar de CSI? – perguntou o velho.
– Acho que você não tá procurando por um filho da puta, Hércules, mas pela própria puta –
– O que você disse? –
Carlos abaixou sua mão para a privada com um sorriso no rosto, ignorando as reclamações de nojo de Hércules. Lá dentro, uma ponta verde dançava no fundo, como uma sereia dos mares na qual alguém tentou dar descarga. O policial puxou, e o verde aumentou de tamanho. Ele continuou puxando e puxando até tirar do fiapo um vestido inteiro. A tela verde salpicada de vermelho abstrato. Uma arte linda e única digna de Jackson Pollock.
– Uma puta com classe, ainda por cima – finalizou Carlos, parecendo querer apresentar a obra recém descoberta.
Hércules olhava com repugnância o vestido, como se a própria dona ainda estivesse nele, zombando do velho que ainda tinha nos olhos a marca do choro.
– Não me interessa se é homem, mulher ou a sua mãe. Você vai pegar quem fez isso, e vai trazer pra mim antes do sol nascer –
– Calma lá, também não é assim. Sabe, tem muitas dificuldades em se rastrear alguém... tenho de molhar a mão das pessoas certas, mas não tenho dinheiro agora, sabe como é, sem dinheiro leva mais temp... –
– Pegue o quanto quiser, seu maldito policial, pode levar todo o meu dinheiro. Se você me trouxer a garota, arranjo um jeito de te dar mais ainda –
– Agradeço a gentileza – respondeu Carlos com o sorriso mais irônico do mundo – Já posso começar com você. Sabe se ele tava trabalhando em alguma coisa? –
– Não me meto nos negócios dos meus filhos. Contanto que eles consigam dinheiro, não me interessa como. Foi assim que eu criei eles, e é assim que devia ser com todo mundo –
– É claro, mas nem sua filha sabe? –
– A Aline? Talvez... Ela tá lá fora, vamos lá –
Enquanto andavam pela casa, Carlos ia examinando o vestido, sentindo uma estranha e irracional afeição por ele. Quando eles abriram a porta da frente, não foi necessário procurar Aline. Ela estava lá, parada em frente a porta, ansiosa esperando por notícias. As lágrimas ainda não haviam cessado. Era uma mulher muito bonita, reparou Carlos. Vindo de uma família como aquela, era de se admirar que não se parecia nem um pouco com uma prostituta. Parecia, na verdade, não ser filha de ninguém, tão independente era seu olhar, mesmo estando arrasada.
– Esse cara vai pegar quem fez isso, pai? –
– Vai sim, filha, mas vai precisar de sua ajuda –
Imediatamente a postura dela mudou, as lágrimas pararam de cair, o rosto se ergueu, orgulhoso como era normalmente, o olhar decisivo que devia ter amedrontado seus primeiros namorados, a expressão de quem está se concentrando para realizar um trabalho árduo. Carlos quase deixou escapar uma exclamação.
– O que eu posso fazer? – perguntou ela.
– Vo... Você sabe no que seu irmão estava trabalhando? –
Aline olhou para o pai, não estava indecisa, mas sabia que precisava de permissão para aquilo. Hércules acenou que sim com a cabeça.
– Ele tava mexendo com drogas, tudo quanto é tipo. Mas precisava de alguém que saísse da ilha com a intenção de voltar –
– Quem? –
– Não sei, só sei do plano, mas não me meti –
– Então eu vou falar com algumas pessoas, ver que informação eu consigo... –
– Eu vou com você – Interrompeu Aline, nitidamente escravizava o negro alto apenas com seu olhar.
Carlos a encarou sem piscar. Teria de dizer não. Não podia fazer seu trabalho direito com uma Menegaro sentada no banco do seu carro. A única alternativa que tinha era dizer pra ela que não podia ir, que iria atrapalhar.
– Tudo bem, pode vir – disse ele, sem saber como aquelas palavras saíram de sua boca.
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