– A gente tem que dar um jeito de sair dessa ilha –
Lia quebrou o silêncio com a pergunta que, sabia, Guilherme estava prestes a fazer. Apesar disso a sala continuou silenciosa, como uma enorme teia de aranha na qual aquela pergunta era apenas mais uma mosca. A ansiedade pela resposta fez o silêncio parecer ainda mais opressor. Após um tempo incalculável Guilherme suspirou. O barulho súbito fez com que Lia se arrepiasse.
– Não tem como –
Parecia que o silêncio novamente ia reinar. Quando ninguém quer falar sobre a única coisa que se tem em mente, é impossível conversar. Lia não estava disposta a calar aquele assunto enquanto não tivesse algo a fazer. Algo mais “possível” em que se preocupar.
– Mas ninguém sabe ainda – insistiu Lia
– Só amanhã que começa a sair os barcos. Se até lá nem a polícia nem os Menegaro souberem do que vo... do que a gente fez, então nós saímos –
– Não é melhor roubar um barco? –
– E arriscar pra que? Amanhã saímos. Se fosse fácil roubar um barco por aqui, não haveria mais nenhum escorado no cais –
Eles se viraram para olhar um para o outro, tentando encontrar uma resposta milagrosa nos olhos.
– Como isso foi acontecer? – perguntou Lia
– Algo deu errado. Uma hora ou outra alguma coisa ia acontecer, sempre acontece. Com a gente a hora foi agora –
– Vai dar–
– Mas e se não der? Precisamos de um plano pra tirar a gente daqui caso a polícia descubra o corpo antes do amanhecer –
– Eu tava pensando nisso... acho que só tem uma saída. Pedir ajuda ao Giuseppe –
– Nada mais justo, fizemos um favor pra ele! –
– Não é bem assim. Matar o Jean vai significar guerra, e eu não duvido que a primeira coisa que o Giuseppe vai fazer quando descobrir é mandar a gente pra forca tentando evitar a briga –
– Então acabamos de ficar inimigos dos dois times, né? Não tem pra onde correr –
– Esqueceu de contar a polícia. Somos inimigos dos dois times e do juiz também –
A risada foi inevitável. Rir da própria desgraça parece improvável, mas acontece. Pode ser o primeiro sinal de loucura ou o último vestígio de sanidade. Para Guilherme e Lia, era a prova de que ainda podiam passar por aquilo juntos, e quem sabe um dia rir novamente quando se lembrassem.
– Mas ainda acho que posso convencer o Giussepe a me ajudar, se eu fizer ele achar que vai ser vantajoso pra ele... – continuou Guilherme
– Meio difícil, não? –
– O Giuseppe gosta de mandar, ta cheio de gente que sabe das coisas trabalhando pra ele, e tem a maioria do seu lado. Mas é burro, eu não seria o primeiro a convencer ele a ajudar alguém que não merecia –
– Teve gente que saiu daqui graças a ele? Não acredito! –
– Teve sim, mas não me disseram o nome – mentiu Guilherme
– Parece um sonho sair de Tenemissa... –
– A gente consegue –
– Aquele nosso plano poderia ter dado certo, e então a gente já teria passagem garantida pra fora –
– Acha mesmo isso? –
– Não, mas bem que você podia calar a boca ao invés de estragar meu pensamento positivo! –
Pouco tempo depois Lia e Guilherme foram dormir. Após um pouco de insistência, Lia conseguiu trocar o sofá pela cama, o que não adiantou. Por uma hora ambos só conseguiram cochilar, pois toda vez que dormiam acordavam de pesadelos muito semelhantes.
Nenhum dos dois poderia adivinhar, mas um dos pesadelos estava naquele momento se tornando realidade. A realidade na forma de um carro preto que estacionava na casa de Jean. A realidade na forma de um pai chorando sobre o corpo do filho.
Lia quebrou o silêncio com a pergunta que, sabia, Guilherme estava prestes a fazer. Apesar disso a sala continuou silenciosa, como uma enorme teia de aranha na qual aquela pergunta era apenas mais uma mosca. A ansiedade pela resposta fez o silêncio parecer ainda mais opressor. Após um tempo incalculável Guilherme suspirou. O barulho súbito fez com que Lia se arrepiasse.
– Não tem como –
Parecia que o silêncio novamente ia reinar. Quando ninguém quer falar sobre a única coisa que se tem em mente, é impossível conversar. Lia não estava disposta a calar aquele assunto enquanto não tivesse algo a fazer. Algo mais “possível” em que se preocupar.
– Mas ninguém sabe ainda – insistiu Lia
– Só amanhã que começa a sair os barcos. Se até lá nem a polícia nem os Menegaro souberem do que vo... do que a gente fez, então nós saímos –
– Não é melhor roubar um barco? –
– E arriscar pra que? Amanhã saímos. Se fosse fácil roubar um barco por aqui, não haveria mais nenhum escorado no cais –
Eles se viraram para olhar um para o outro, tentando encontrar uma resposta milagrosa nos olhos.
– Como isso foi acontecer? – perguntou Lia
– Algo deu errado. Uma hora ou outra alguma coisa ia acontecer, sempre acontece. Com a gente a hora foi agora –
Lia parou para pensar. O assunto ainda não tinha acabado.
– E se não der certo? –– Vai dar–
– Mas e se não der? Precisamos de um plano pra tirar a gente daqui caso a polícia descubra o corpo antes do amanhecer –
– Eu tava pensando nisso... acho que só tem uma saída. Pedir ajuda ao Giuseppe –
– Nada mais justo, fizemos um favor pra ele! –
– Não é bem assim. Matar o Jean vai significar guerra, e eu não duvido que a primeira coisa que o Giuseppe vai fazer quando descobrir é mandar a gente pra forca tentando evitar a briga –
– Então acabamos de ficar inimigos dos dois times, né? Não tem pra onde correr –
– Esqueceu de contar a polícia. Somos inimigos dos dois times e do juiz também –
A risada foi inevitável. Rir da própria desgraça parece improvável, mas acontece. Pode ser o primeiro sinal de loucura ou o último vestígio de sanidade. Para Guilherme e Lia, era a prova de que ainda podiam passar por aquilo juntos, e quem sabe um dia rir novamente quando se lembrassem.
– Mas ainda acho que posso convencer o Giussepe a me ajudar, se eu fizer ele achar que vai ser vantajoso pra ele... – continuou Guilherme
– Meio difícil, não? –
– O Giuseppe gosta de mandar, ta cheio de gente que sabe das coisas trabalhando pra ele, e tem a maioria do seu lado. Mas é burro, eu não seria o primeiro a convencer ele a ajudar alguém que não merecia –
– Teve gente que saiu daqui graças a ele? Não acredito! –
– Teve sim, mas não me disseram o nome – mentiu Guilherme
– Parece um sonho sair de Tenemissa... –
– A gente consegue –
– Aquele nosso plano poderia ter dado certo, e então a gente já teria passagem garantida pra fora –
– Acha mesmo isso? –
– Não, mas bem que você podia calar a boca ao invés de estragar meu pensamento positivo! –
Pouco tempo depois Lia e Guilherme foram dormir. Após um pouco de insistência, Lia conseguiu trocar o sofá pela cama, o que não adiantou. Por uma hora ambos só conseguiram cochilar, pois toda vez que dormiam acordavam de pesadelos muito semelhantes.
Nenhum dos dois poderia adivinhar, mas um dos pesadelos estava naquele momento se tornando realidade. A realidade na forma de um carro preto que estacionava na casa de Jean. A realidade na forma de um pai chorando sobre o corpo do filho.
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