A primeira reação foi a tosse. Ao menos a primeira consciente. A dor, a confusão, os barulhos estranhos dentro de sua cabeça estavam lá muito antes de ele se dar conta de onde estava. De que ainda estava vivo. Sentiu o corpo dormente, pesado, tentou se mexer e não conseguiu. Com muito esforço abriu os olhos, não que houvesse muito para se ver, apenas a grande confusão cinza, que em sua visão desacostumada tomava por diferentes cores. Ouviu o crepitar de fogo em algum lugar próximo e subtamente se lembrou de onde estava e o que tinha acontecido: a porta, o fio, o inferno.
Virou a cabeça tentando encontra-la com os olhos, mas a única coisa que conseguiu foi perceber que ainda estava fraco demais para esses movimentos bruscos. Tentou respirar fundo, mas a fumaça o deixou tonto. Tinha que fazer alguma coisa, mas era difícil se concentrar. O que conseguiu fazer foi gritar com a voz rouca e quase inaudível em meio ao caos que reinava ao redor.
– ALINE! –
Tossiu de novo. Esperou um pouco mas ninguém respondeu. Ele se lembrou de ter derrubado ela com o corpo antes de cair, e foi quando se deu conta da sensação quente em sua perna direita. Ele estava encostado em alguma coisa viva. Com um susto combinado a um suspiro de alívio ele viu a face quase preta de cinzas de Aline, olhos fechados, mas respirando. Teve vontade de rir, mas achou que seus pulmões talvez não fossem aguentar. Em vez disso, começou a fazer um enorme esforço de mexer a perna direita. Seu corpo inteiro ainda estava dormente, e Carlos não fazia a menor ideia de quanto tempo levou para que ele finalmente conseguisse resultados positivos. Quando conseguiu, tentou pequenos chutes, embora não soubesse bem ao certo que parte do corpo de Aline estava chutando.
“Foda-se”, pensou. “Tenho certeza de que ela já quebrou o que tinha de quebrar”.
Continuou tentando, chutar e chamar. Chutar e chamar. Até que ela demonstrou sinal de vida. Com um gemido e uma tosse. Olhos fechados que tentanvam com todas as forças se abrirem. “Exatamente como eu”.
– O... O qu... COF! COF! O... O que que... –
– Aline, presta atenção! –
Mesmo com ela mantendo os olhos fechados, Carlos pode ver que Aline tinha escutado e que estava atenta.
– O apartamento explodiu. Tem muitos escombros em cima da gente, mas tem mais em cima de você. Eu ainda não estou sentindo meu corpo muito bem, então não sei se eu quebrei alguma coisa. A gente vai ter que dar um jeito de sair daqui rápido, não dá pra adivinhar quem vai se arriscar a vir aqui primeiro –
– O... Ok –
Fazendo muito mais esforço do que antes, Carlos tentou mexer o corpo todo, fazendo força para se levantar. Haviam pedaços de muitas coisas em cima dele. Por sorte nenhuma pegando fogo. Ele reconheceu bastante concreto, pedaços de madeira e pedaços de coisas que ele não fazia ideia de o que era. Provavelmente objetos do apartamento, todos estraçalhados. A cabeça do pênis pichado apontava para ele, descansando a centímetros de sua testa num pedaço chamuscado da porta. Mais uma ironia do destino.
Aline também fazia força para se levantar, mas mal conseguia se mexer. Depois de um tempo, Carlos já estava de pé ajudando ela. Alguma força milagrosa movendo ele, uma vez que braço e perna esquerda estavam ambos quebrados, além de algumas costelas, mas ele ainda não estava consciente o bastante para sentir a dor.
Vozes já se espalhavam ao redor deles quando passou o braço esquerdo de Aline por cima de seu pescoço. Ela tinha muito mais dificuldades de se mexer do que ele. Começaram a andar em meio a confusão, sem fazer a menor ideia de para onde estavam indo. Tiveram uma desagradável surpresa ao se deparar com uma queda considerável para eles. Tinham esquecido que estavam em cima de um prédio.
Foi necessária a ajuda de algumas pessoas que estavam ao redor para chegar ao chão, pois a escadaria foi bloqueada pelos destroços. Fora da fumaça, eles puderam ver o estado do prédio: o último andar caiu em cima dos outros como se tivesse despencao do céu. Não conseguiram resgatar mais ninguém, pois os andares inferiores foram esmagados. Apenas algumas partes continuavam de pé. Onde Carlos e Aline desmaiaram era uma delas. Vendo aquilo eles souberam que sobreviveram por pura sorte.
– Isso vai ter troco – disse Carlos, antes de se virar e sair dali ajudando Aline, ambos ignorando as pessoas que diziam que era preciso esperar pela ambulância e, é claro, que era preciso dar entrevistas para o jornal.
Virou a cabeça tentando encontra-la com os olhos, mas a única coisa que conseguiu foi perceber que ainda estava fraco demais para esses movimentos bruscos. Tentou respirar fundo, mas a fumaça o deixou tonto. Tinha que fazer alguma coisa, mas era difícil se concentrar. O que conseguiu fazer foi gritar com a voz rouca e quase inaudível em meio ao caos que reinava ao redor.
– ALINE! –
Tossiu de novo. Esperou um pouco mas ninguém respondeu. Ele se lembrou de ter derrubado ela com o corpo antes de cair, e foi quando se deu conta da sensação quente em sua perna direita. Ele estava encostado em alguma coisa viva. Com um susto combinado a um suspiro de alívio ele viu a face quase preta de cinzas de Aline, olhos fechados, mas respirando. Teve vontade de rir, mas achou que seus pulmões talvez não fossem aguentar. Em vez disso, começou a fazer um enorme esforço de mexer a perna direita. Seu corpo inteiro ainda estava dormente, e Carlos não fazia a menor ideia de quanto tempo levou para que ele finalmente conseguisse resultados positivos. Quando conseguiu, tentou pequenos chutes, embora não soubesse bem ao certo que parte do corpo de Aline estava chutando.
“Foda-se”, pensou. “Tenho certeza de que ela já quebrou o que tinha de quebrar”.
Continuou tentando, chutar e chamar. Chutar e chamar. Até que ela demonstrou sinal de vida. Com um gemido e uma tosse. Olhos fechados que tentanvam com todas as forças se abrirem. “Exatamente como eu”.
– O... O qu... COF! COF! O... O que que... –
– Aline, presta atenção! –
Mesmo com ela mantendo os olhos fechados, Carlos pode ver que Aline tinha escutado e que estava atenta.
– O apartamento explodiu. Tem muitos escombros em cima da gente, mas tem mais em cima de você. Eu ainda não estou sentindo meu corpo muito bem, então não sei se eu quebrei alguma coisa. A gente vai ter que dar um jeito de sair daqui rápido, não dá pra adivinhar quem vai se arriscar a vir aqui primeiro –
– O... Ok –
Fazendo muito mais esforço do que antes, Carlos tentou mexer o corpo todo, fazendo força para se levantar. Haviam pedaços de muitas coisas em cima dele. Por sorte nenhuma pegando fogo. Ele reconheceu bastante concreto, pedaços de madeira e pedaços de coisas que ele não fazia ideia de o que era. Provavelmente objetos do apartamento, todos estraçalhados. A cabeça do pênis pichado apontava para ele, descansando a centímetros de sua testa num pedaço chamuscado da porta. Mais uma ironia do destino.
Aline também fazia força para se levantar, mas mal conseguia se mexer. Depois de um tempo, Carlos já estava de pé ajudando ela. Alguma força milagrosa movendo ele, uma vez que braço e perna esquerda estavam ambos quebrados, além de algumas costelas, mas ele ainda não estava consciente o bastante para sentir a dor.
Vozes já se espalhavam ao redor deles quando passou o braço esquerdo de Aline por cima de seu pescoço. Ela tinha muito mais dificuldades de se mexer do que ele. Começaram a andar em meio a confusão, sem fazer a menor ideia de para onde estavam indo. Tiveram uma desagradável surpresa ao se deparar com uma queda considerável para eles. Tinham esquecido que estavam em cima de um prédio.
Foi necessária a ajuda de algumas pessoas que estavam ao redor para chegar ao chão, pois a escadaria foi bloqueada pelos destroços. Fora da fumaça, eles puderam ver o estado do prédio: o último andar caiu em cima dos outros como se tivesse despencao do céu. Não conseguiram resgatar mais ninguém, pois os andares inferiores foram esmagados. Apenas algumas partes continuavam de pé. Onde Carlos e Aline desmaiaram era uma delas. Vendo aquilo eles souberam que sobreviveram por pura sorte.
– Isso vai ter troco – disse Carlos, antes de se virar e sair dali ajudando Aline, ambos ignorando as pessoas que diziam que era preciso esperar pela ambulância e, é claro, que era preciso dar entrevistas para o jornal.
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